Monitoramento acústico automatizado em larga escala de anfíbios anuros

O grupo de trabalho “Monitoramento acústico automatizado em larga escala de anfíbios anuros” é formado por pesquisadores do Brasil e do exterior, vinculados à equipe do Instituto Nacional de Ciência & Tecnologia (INCT) em Ecologia, Evolução e Conservação da Biodiversidade (EECBio; https://www.eecbio.ufg.br/) (Universidade Federal de Goiás, GO) e tem como objetivo monitorar a atividade acústica de anuros em extremos térmicos e hídricos de sua área de distribuição no Brasil.

A comunicação acústica é um dos fenômenos mais característicos durante a fase reprodutiva dos anuros. Sabemos que fatores climáticos influenciam a atividade vocal e podem determinar o grau de sincronismo e intensidade da atividade reprodutiva de populações. No entanto, não sabemos qual é a tolerância térmica e hídrica das espécies durante as atividades vocal e reprodutiva. É possível estimar estes parâmetros e predizer o impacto de mudanças climáticas nas espécies de anuros? Neste projeto investigaremos a atividade vocal de populações sob diferentes condições climáticas – nos extremos térmicos e hídricos das áreas de distribuição das espécies.

O monitoramento acústico passivo se baseia no registro remoto da atividade vocal das espécies e facilita a coleta de dados de forma contínua, por longos prazos, simultânea, em locais muito distantes e com baixa perturbação no comportamento das espécies de estudo.

Sob a supervisão do Professor Franco L. Souza, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Campo Grande), responsável pela amostragem de dados no estado, foram selecionadas três localidades (Campo Grande, Dois Irmãos do Buriti e Bonito), nas quais um sistema composto por um gravador e um datalogger ficarão ativos durante um ano, a partir de setembro/2019. Entre os locais está a Estância Mimosa Ecoturismo.

O gravador é programado para efetuar gravações de um minuto a cada 15 minutos (assim, em uma hora serão gravados 4 minutos) enquanto o datalogger efetua medida de temperatura e umidade a cada 5 minutos. São instalados em árvores no entorno de lagoas e funcionam 24 horas por dia, faça chuva ou faça sol, de dia, de noite, de madrugada. A cada 4 meses é necessário trocar as baterias e os cartões de memória.

A partir da investigação de características da atividade acústica de anuros, o grupo espera descrever os padrões temporais de atividade acústica; determinar as temperaturas e umidades relativas na qual há atividade acústica, estimar a amplitude térmica e hídrica das espécies; obter predições da atividade acústica em cenários de mudanças climáticas; investigar a influência de atributos ecológicos dos anuros sobre as respostas a fatores climáticos; e aplicar e validar novos métodos automáticos de detecção de espécies em gravações acústicas.

Informações e fotos: Franco L. Souza – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – Instituto de Biociências.

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